quarta-feira, janeiro 18
terça-feira, janeiro 17
Teoria da conspiração ? (parte 2)
Fiquei sinceramente abismado com o poder da blogosfera. Quando escrevi o post anterior fi-lo para alguns amigos mas, pelo que vejo, as palavras voam na blogosfera.
Não sendo nenhum expert no campo das sondagens, a não ser por algumas cadeiras universitárias que cursei, não pretendi nem pretendo pôr em causa o labor dos profissionais do sector, se bem que parece que o meu post anterior teve esse efeito por algumas reacções.
Vamos então ao que interessa. A minha análise teve por base, se isso foi erro, a página da Marktest no que diz respeito aos gráficos apresentados, que vi com estes que a terra há-de comer.
Depois das reacções ao post reformulei os meus cálculos para apresentarem os valores da amostra, tal qual vem nas fichas de resultados e não nos gráficos, algo que creio só mais recentemente ficou disponível.
Devo referir de que se mantêm as minhas dúvidas.
Composição etária

A tendência mantem-se. Dirão que apresentados estão os dados de várias subamostras repetidos, por no dia 10, 11 e 12 voltar a estar incluido o dia 9, dado ser uma tracking pool. Têm razão. No entanto, são assim que são reflectidos nos media e com chamadas a primeira página com as variações diárias, com as inevitáveis influências de voto.
Vejamos então as amostras até dia 9, de 10 a 13 e de 14 a 17, forma utilizada por Pedro Magalhães na sua pool of the pools.

Variações não significativas ? Talvez, mas que as há, há.
Não vi, no entanto, ninguém contestar os 35.4% que o INE atribui em 2001 ao escalão +54 (quando no universo dos indivíduos com 20 e mais anos). É assim esta subamostra representativa ?
Vejamos a situação das classes sociais.

São estas variações normais ?
No que diz respeito às intenções de voto legislativo a pertinência mantem-se.

Não esquecer que estão de fora as regiões autónomas que aplificam, como de costume, a diferença PSD-PS.
Saliento que apesar de continuar surpreso aplaudo estas tracking pool e os media que as encomendaram pois, em teoria, representariam melhor o sentido de voto.
Agradeço ainda a transparência da Marktest já que sem isso estas reflexões não eram possíveis.
Obrigado Marktest. Quanto à forma como o DN as tem apresentado a mesma deixa muito a desejar, pois se há quem compreenda o que está em causa outros há que ficam a pensar que há sondagens novas todos os dias...
Nota - o último quadro foi corrigido
segunda-feira, janeiro 16
Teoria da conspiração ?
Existem coincidências que parecem propositadas ou propósitos que parecem coincidências. Sendo ou não resolvi partilhar convosco alguns dados que recolhi das sondagens “diárias” realizadas pela Marktest e publicadas no DN/TSF.
Para quem não sabe as sondagens referidas são uma tracking pool (os resultados que aparecem no DN) pelo que junta dias anteriores, que são parcialmente substítuidos, à do próprio dia.
Desse modo olhei apenas para os resultados diários que têm naturalmente maior enviesamento de mudanças bruscas diárias e estão naturalmente mais sujeitas a desvio dado serem amostras mais reduzidas.
Não quero aqui salientar as sondagens mais favoráveis a Mário Soares (Eurosondagem) ou as mais desfavoráveis. Diferentes empresas usam naturalmente diferentes formas e técnicas de recolha e análise que origina a que não se possa comparar “alhos com bugalhos”. Apenas reflectir sobre alguns factos que saltam à vista.
Apresento um quadro bastante elucidativo quando algumas sondagens voltam a colocar o PS no limiar da maioria absoluta e normalmente sempre acima dos 40%. Na sondagem da Marktest, vá se lá saber porquê, a intenção de voto legislativa é sempre superior no PSD. Se tivermos em conta que as mesmas não incluêm as ilhas então teremos o PSD com maioria absoluta nas legislativas.

Coincidência ?
Analisando, por exemplo, as amostras etárias temos algo curioso, demonstrado pelo gráfico.

Houve alteração demográfica tão acentuada no país ?
O census de 2001 e as estimativas do INE demonstram que o escalão etário +54 anos desde 1991 representou sempre mais de 30% (do universo dos maiores de 20 anos) e em 2001 representava 35.4%. Será que a amostra de 27.9% é representativa da população ?
Será coincidência o escalão 35/54 ser aquele onde Cavaco seria menos prejudicado se, como aconteceu, Alegre subisse nas sondagens ?
Será lógico Soares passar em 6 dias de 15.3% na classe média para 4.4% ao mesmo tempo que Alegre passa de 9.2% para 20.9% na classe baixa/média-baixa no mesmo intervalo de datas ?
De salientar que não estou a acusar ninguém, apenas estou surpreso com alguns dados. No fim de contas as sondagens, como os portugueses não as analisam ao pormenor, também não podem influenciar ninguém.
Afinal, sempre existe o erro amostral para justificar enganos no dia das eleições ...
PS – Se alguém quiser analisar os dados com pormenor estou ao dispôr. Para quem não conseguir ver as imagens (Firefox) estão visiveis no Internet Explorer.