segunda-feira, março 14

Carta Aberta ao Camarada Jorge Coelho

Caro Camarada Jorge Coelho,

No seguimento da confiança que a Direcção do PS depositou em si para coordenar a Comissão Permanente do PS, leio declarações suas sobre a utilidade deste órgão, nomeadamente no sentido de haver «uma preocupação no sentido de que o PS tenha condições para estar permanentemente mobilizado e motivado, mantendo-se com grande dinamismo e com grande actividade».

Suponho que a Direcção do PS em geral, e o camarada Jorge Coelho em particular, estão dispostos pois a aprender com o sucedido durante os Governos de António Guterres, em que o Partido foi sendo progressivamente ignorado por uma Direcção partidária completamente e obsessivamente mergulhada na gestão mediática da acção governativa.

Por outro lado, atendendo que hoje não é politicamente correcto formar um Governo exclusivamente com membros do Partido vencedor das eleições, mesmo que com maioria absoluta, é natural que muitos Socialistas se «desmobilizem» e se «desmotivem» no que pode ser sempre mal-entendido como um atestado de incompetência técnica aos militantes do PS, passado pelo 1º Ministro ao seu próprio partido.

A tarefa de conseguir um PS «permanentemente mobilizado e motivado, mantendo-se com grande dinamismo e com grande actividade» parece bastante difícil, mas é a minha convicção que o camarada Jorge Coelho será a pessoa ideal para desempenhar esta tarefa, principalmente pela confiança que todos os socialistas em si depositam.

É neste contexto, e agora que o XVII Governo Constitucional está já devidamente escolhido e empossado, que venho apresentar-lhe uma proposta concreta para a dinamização do Partido: a criação, pela Comissão Permanente do PS, de uma equipa tipo 'Governo-Sombra'.

Talvez o termo 'Governo-Sombra' não seja o mais adequado.
Chamemos-lhe outra coisa: Governo-Espelho, Grupo de Apoio ao Governo, Grupo de Trabalho das Novas Fronteiras, etc. É uma questão de semântica.
(Gabinete de Estudos é que não deverá ser, pela falta de credibilidade. Você sabe que eu sei que você sabe do que estamos a falar…)

O objectivo é o de assegurar, organizadamente, uma ligação técnica formal entre o PS e os Membros do Governo de José Sócrates. Um conjunto de pessoas que, para cada Membro do Governo ou área governativa, assegurem dentro do Partido a necessária troca de informação, nomeadamente para o acompanhamento da execução do Programa do Governo (as denominadas «Bases Programáticas»).

Não se trata de organizar os «Jobs for the Boys», embora muitos temam voltar a ver «comissários políticos» do anterior Governo a serem reconduzidos ou promovidos pelo novo Governo de Sócrates, apesar de terem primado pela incompetência técnica no desempenho das suas funções, ou mesmo pela discriminação politíca exercida sobre os seus funcionários.

Por exemplo, tendo tido a oportunidade de apresentar uma contribuição para as «Novas Fronteiras» que, genericamente, parece ser compatível com o texto das «Bases Programáticas», a quem me devo dirigir para saber qual a exequibilidade das propostas concretas que apresentei, ou que contributos posso dar na minha área?

Ou como conseguir o adequado esclarecimento do PS, ou seja, dos seus militantes, perante situações ou decisões políticas mais polémicas, sem ter de organizar massivas sessões de esclarecimento?
(Às quais os Membros do Governo independentes, tradicionalmente, não sentem qualquer obrigação em comparecer?).

A implementação desta proposta não será particularmente difícil.
Esta equipa poderia funcionar a partir do website do PS, onde estaria a indicação dos respectivos endereços electrónicos para a colocação das questões e propostas aos Membros do Governo. Seria contudo necessário assegurar a colaboração dos vários Gabinetes do Governo com esta equipa.

A existência de uma capacidade de comunicação interna do PS com os seus militantes permitirá criar no Partido as «condições para estar permanentemente mobilizado e motivado, mantendo-se com grande dinamismo e com grande actividade».

Por outro lado, o camarada Jorge Coelho concordará concerteza que a transparência da acção governativa perante portugueses passa pelo natural acompanhamento da acção governativa pelos militantes do Partido político em quem os portugueses depositaram a responsabilidade de governar.


Cordiais Saudações Socialistas,



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