segunda-feira, fevereiro 21

O voto responsabiliza

Conseguimos!

Assim começou o discurso de vitória ao qual faltou uma pitada de sentido de estado. Portugueses teria, sem dúvida, ficado melhor... Estou no entanto seguro de que apenas foi fruto de alguma inexperiência justificada com o que de vertiginoso tiveram os últimos tempos.

Não era no entanto sobre isto que queria que reflectíssemos mas sobre a importância do voto para quem tomará as decisões que "comandarão" o país nos próximos tempos.

Sempre defendi a necessidade de eleições no verão passado. O país não estava preparado psicologicamente para transições sem drama na liderança do país. A nossa democracia não têm ainda essa maturidade. Defendo que o voto é a melhor forma de responsabilização de quem é eleito, não numa perspectiva de passado mas de futuro.

O voto responsabilizou o PSD, não pelo passado mas pelo futuro. Os seus militantes e simpatizantes terão agora que regenerar o partido, a bem dele próprio mas essencialmente do país e do PS. Chega de populismo e vamos arregaçar as mangas que isto não está para brincadeiras.

O voto responsabiliza o PCP, não pela mudança de conteúdo, que sabemos que não existiu, mas pela mudança da forma que pressupôs uma mudança de conteúdo. Chega de dogmatismo que apenas afasta o sentido construtivo.

O voto responsabiliza o PP, não por ter estado no governo mas porque os valores que defende a direita terão que ter cara no período de instabilidade por que o PSD vai passar. Sabemos que a votação que teve a esquerda não reflecte na totalidade os desígnios e objectivos do pensamento da população portuguesa.

O voto responsabiliza o Bloco(não digo BE). Já lá vai o tempo da estratégia do anti. A votação que teve não foi com certeza, tal como no PCP, pelo conteúdo mas pela forma. O crescimento precoce traz mal-deformações que urge solucionar. Ao bloco do interesse dos partidos que o formaram urge dar resposta ideológica a quem nele vota. De partidos que criam desilusões de massas já bastou o PRD. Quem vota não quer contestação quer construção.

O voto responsabilizou também a comunicação social. O que disse sobre o Bloco aqui também se aplica.

É, no entanto, claro que o voto responsabiliza mais o PS. Pelo que tem a fazer pelo país e essencialmente por como o fará.

Responsabiliza os dirigentes e futuros governantes pelo trabalho que têm a desenvolver e pela forma como irão tomar as decisões e as comunicarem ao país e ao partido. A participação, mesmo quando o tempo urge, é a melhor forma de comunicação.

Responsabiliza os militantes e simpatizantes porque algumas das medidas serão impopulares e necessitam da sua defesa por uma grande massa. Além disso terão a tarefa de fiscalizar o trabalho governativo, especialmente nesta altura em que a oposição está de rastos.

Os quatro anos que se avizinham são árduos e díficeis. Ninguém está de fora do trabalho que há a fazer. Nem por vontade nem por omissão...

1 Comments:

At 15:35, Blogger Mario Garcia said...

Maioria Absoluta - Responsabilidade Absoluta.

Desta vez não haverá 'desculpas'.

Não haverá 'desculpas' para algumas figuras recusarem fazer parte do Governo (e não me refiro apenas ao Constâncio).

Não haverá 'desculpas' para implementar rapidamente as reformas estruturantes adiadas consecutivamente.

Não haverá 'desculpas' para uma Governação errática, ao sabor de sondagens e 'opinion makers'.

Não haverá 'desculpas', daqui a 4 anos, para o julgamento que os portugueses irão fazer deste Governo.

Por isso, há que começar a trabalhar desde já, sem cometer os erros do passado.

 

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